Engraçado. Nunca fui de me
interessar pelo BBB, mas, nas últimas semanas, tenho sido fisgada pelo
protagonismo da Ana Paula. Mais alguém que não gosta de perder tempo à toa anda
impressionada com a “bruxona”? A coragem de ser quem ela é, sua forma de assumir
os riscos de expor suas verdades, é admirável e inspiradora! Enquanto mulheres,
precisamos muito de uma representatividade assim: alguém que impõe seus
limites, é fiel aos seus aliados e tem consciência de classe. Mesmo sendo
riquíssima, luta pela igualdade e pelo respeito, e abomina a injustiça.
Felizmente, ela representa e
influencia muitas mulheres que estão passando — ou precisam passar — pelo
processo de autoconhecimento e empoderamento. Por isso, ela está sendo tão
necessária nesta edição, principalmente diante do aumento no número de feminicídios.
Basta uma pesquisa rápida no Google e você encontra os seguintes dados no
portal Mundo GTV: no ano de 2024, os registros de feminicídio foram 1.459,
subindo para 1.568 em 2025. É assombroso o fato de que, em média, quatro
mulheres são assassinadas por dia. É lamentável perceber que, em meio a tantos
números, nada muda, pois dados iniciais já indicam um aumento agora em 2026,
com o crescimento de casos em estados como o Rio Grande do Sul. Onde vamos
parar?
Nada melhor do que ter uma
mulher forte sendo protagonista em rede nacional, justamente no momento em que
o cenário atual está cheio de situações que nos silenciam. Lembro-me de
inúmeras situações em meu último relacionamento nas quais eu tinha que silenciar
para evitar receber toda a arrogância dele, para não receber "cara
feia", para não ser chamada de dramática e exagerada; silenciei para não
ser tachada de louca, ou culpada por apenas ter sentimento. Descobri que isso
tem nome: gaslighting! Silenciei diante de situações que ultrapassavam meu
limite e, pior, chamava todo o abuso da relação de "destino".
Desde quando o destino é
sofrer calada? Infelizmente, a ideia de carma traz essa armadilha: se você está
sofrendo, é porque merece; você escolheu essa vida para pagar suas dívidas de
vidas passadas. Respeito toda crença, mas, sinceramente, muitas mulheres perdem
suas vidas por acharem que Deus quer assim, que seu destino é viver ao lado de
um abusador ou de um narcisista até morrer porque "merecem" isso.
Não merecem! Não merecemos!
Minha avó decidiu isso para ela, e respeito, pois nada mais posso fazer. Mas,
daqui para frente, é outra história. Quebrei as correntes e joguei água nas
tochas!
Provavelmente, muitas outras
"vozinhas" aceitaram abusos todos os dias e foram silenciadas de
algum modo — silenciadas em vida ou com o fim dela. A Ana veio para trazer luz
à escuridão de muitas mulheres contemporâneas que ainda se permitem viver
situações da "Idade da Pedra", acreditando que seu lugar é na
caverna. Mas não! Seu lugar é onde você quiser!
Se ser forte, ter voz, não
aceitar abusos e lutar pelo que acredita é ser 'bruxa', minha cara, seja uma
bruxona!
Que nenhuma mulher seja
queimada — seja ela bruxa, seja ela livre!

Nenhum comentário:
Postar um comentário